Quando se fala em saúde no trabalho, quase sempre a conversa gira em torno da sobrecarga. Mas existe um problema que recebe muito menos atenção: a falta de desafios.
O boreout, também conhecido como "síndrome do tédio no trabalho", descreve uma situação em que o profissional executa tarefas excessivamente repetitivas, pouco estimulantes ou muito abaixo de sua capacidade. Com o tempo, a rotina deixa de gerar aprendizado, o envolvimento diminui e surge a sensação de estagnação.
Engana-se quem acredita que apenas o excesso de trabalho compromete o bem-estar. Não enxergar propósito no trabalho, sentir que o próprio potencial está sendo desperdiçado e não perceber oportunidades de desenvolvimento também pode afetar a motivação, o engajamento e até a decisão de permanecer na empresa.
Para os líderes, é importante perceber que nem sempre um profissional desengajado é alguém que não está interessado em crescer. Às vezes, ele deixou de encontrar as oportunidades para aplicar seus conhecimentos, aprender algo novo ou participar de desafios compatíveis com seu potencial. A ausência de movimento também pode ser desgastante e angustiante.
Um dos maiores riscos da “síndrome do tédio no trabalho” é que seus sinais nem sempre são visíveis. O profissional pode continuar entregando suas demandas e mantendo bons resultados enquanto internamente sente que poderia contribuir muito mais.
Por isso, acompanhar a evolução das pessoas também implica estimulá-las com novas atribuições e desafios.